#EP21 – Sobre o ensino de urbanismo.

A prática do urbanismo esbarra, como tudo, nos limites, possibilidades e interesses da sociedade burguesa. O que fazemos e o que podemos fazer é condicionado pelo interesse do capital. Mais do que isso, a forma como entendemos o urbanismo, como enxergamos o urbanismo e, finalmente, como ensinamos o urbanismo, está sempre limitado por essa ideologia, pela naturalização desses processos, que em algum grau determinam o que pode ou não ser pensado. Para botar a cabeça para fora d’água, conversamos com o professor Dr. Cláudio Rezende Ribeiro, professor da FAU-UFRJ.

#EP21 Sobre o ensino de urbanismo Cláudio Ribeiro

BIBLIOGRAFIA

RIBEIRO, C. (2018). História, técnica e política: considerações teóricas para um ensino crítico de urbanismo. Revista Políticas Públicas & Cidades [Public Policy & Cities Magazine]6(1), 32-45. https://doi.org/10.23900/2359-1552v6n102

RIBEIRO, C. Patrimônio, globalização, justiça social e direito à cidade: questionamentos teóricos a partir das alterações recentes do Rio de Janeiro. Encontro Internacional Arquimemória 5. Salvador, 2017. https://drive.google.com/open?id=1q8DWGhMMbi_TvLVBZ8kRtafUB4VXLP_y

Canal PERIFAU: https://www.youtube.com/channel/UCc-3kMZj28hODvresoWWu_w

MÚSICAS DO EPISÓDIO

A cidade ideal (Os Saltimbancos)

Homem Primata (Titãs)

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2 comentários

  1. Gente, parabéns pelo programa, perfeita a conversa.

    Queria apenas pontuar algumas inquietações:

    1. se por um lado em concordo com vocês que museus hoje se tornaram o mais perfeito índice da espetacularização do projeto, da transformação da assinatura do arquiteto numa mercadoria de luxo, etc, por outro lado, fico pensando no quanto não há uma tradição arquitetônica (ou, caso ela exista, não repercute ou reverbera tanto quanto a arquitetura espetacular e estelar) vinculada ao que ficou conhecido por museologia social ou “nova museologia”, movimento que já tem uns 40 anos no interior das discussões do campo da museologia e que vem discutindo a formação de processos de musealização em sintonia e organicidade com os vários grupos sociais com os quais determinados acervos ou processos museológicos se relacionam.

    Vocês comentaram, por exemplo, que talvez para um museu um concurso seja interessante, mas para uma calçada não. De fato, mas fico imaginando que tipo de experimentação arquitetônica (e que outras formas de projetar e de construir junto com as pessoas) poderia ser promovida em contextos como os do Museu da Maré ou do Muquifu (Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos) — instituições que, longe de reificarem ou folclorizarem as imagens das favelas, problematizam-nas, discutindo a memória, identidade e ação dos grupos associados a elas. Certamente museus como esses permitiram pensar novas formas de projetação e construção, mobilizando saberes difusos e estéticas não canônicas (sem, é claro, cair em qualquer armadilha de folclorização), mesmo porque esses museus se pretendem espaços de encontro vivos e não meros repositórios de referenciais de memória.

    2. E ainda sobre o patrimônio: também concordo com todas as críticas feitas, mas também dentro do campo há avanços relevantes, ainda que não totalmente isentos de crítica. A própria mudança de um paradigma de “patrimônio histórico” para “patrimônio cultural” nos últimos 40 anos tem envolvido a mudança de foco nos grupos sociais que são protagonistas dos processos de patrimonialização e as formas de salvaguarda. Claro, há quem diga que essa mudança (assim como o interesse cada vez maior pelo patrimônio “imaterial”) acompanha e espelha uma mudança do próprio capitalismo pós-anos 70, ele próprio cada vez mais desmaterializado e financeirizado, tornando mercadoria referenciais difusos, etc, etc. Contudo, apesar dos problemas do processo, ele de fato foi responsável (ou pelo menos era até 2016) por integrar outro grupos, narrativas, memórias e relações simbólicas entre grupos sociais e objetos/práticas.

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